Paulo Horácio de Sequeira e Carvalho nasceu em Luanda, Angola, a 25 de agosto de 1960, e ao longo das últimas décadas tornou-se uma das vozes mais influentes da sociologia angolana, desempenhando papéis notáveis como jornalista, escritor, professor universitário e investigador. Com formação sólida e extensa experiência, construiu uma carreira marcada pela dedicação ao estudo da sociedade angolana, à comunicação social e à educação cívica.
Depois de concluir o ensino primário e secundário em Angola, rumou à República Popular da Polónia nos anos 1980, onde estudou sociologia na Universidade de Varsóvia. Obteve o grau de mestre com distinção em 1990, regressando ao seu país para contribuir com os conhecimentos adquiridos. Mais tarde, em 2004, doutorou-se pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa, defendendo a tese Exclusão Social em Angola. O caso dos deficientes físicos de Luanda, que lhe valeu “louvor e distinção, por unanimidade”.
O seu percurso profissional é vasto e multifacetado. Iniciou funções públicas em 1979, na Secretaria de Estado da Cultura, e ao longo dos anos ocupou cargos importantes, como chefe de departamentos, diretor do Centro de Imprensa Aníbal de Melo e administrador da representação da OXFAM em Luanda. Destacou-se como comentador na Televisão Pública de Angola e na Rádio Nacional, e foi autor da popular rubrica semanal “Consumindo” no Jornal de Angola, entre 1997 e 2007.
Como docente, começou a lecionar na Universidade Agostinho Neto em 1996, onde hoje é professor associado, responsável por disciplinas como metodologia da investigação, sondagens, estatística e sociologia do consumo. Também colaborou com o ISCED de Luanda e integrou a Comissão de Gestão da Faculdade de Letras e Ciências Sociais.
Na área da investigação científica e consultoria, Paulo de Carvalho esteve à frente de múltiplos estudos e sondagens sobre consumo urbano, comportamento político, exclusão social e cidadania. É administrador da Consulteste, Lda., uma empresa especializada em estudos de opinião e mercado. Entre os seus trabalhos mais relevantes estão pesquisas sobre eleições legislativas, hábitos de consumo de marisco em Luanda e o impacto social da indústria petrolífera.
É autor de oito livros e mais de cinquenta obras académicas, incluindo Até Você Já Não És Nada!, A Campanha Eleitoral de 2008 na Imprensa de Luanda e Audiência de Media em Luanda. Participou como conferencista em diversos eventos de relevância nacional sobre temas como educação, cidadania, abstenção eleitoral e autoridade tradicional. Também orientou dissertações de licenciatura em ciência política e sociologia, contribuindo para a formação de novas gerações de pensadores angolanos.
Desde 2020, preside à Academia Angolana de Letras, após ser eleito com 94% dos votos para suceder a Boaventura Cardoso, consolidando o seu papel como referência intelectual e cultural no país. Com uma trajetória que alia conhecimento profundo da realidade angolana a um compromisso com o pensamento crítico, Paulo de Carvalho é, sem dúvida, uma figura incontornável no panorama académico e jornalístico de Angola.
| Ano | Premiação | Organizador |
|---|---|---|
| 1997 | Menção & Honra | Prémio Kianda |
| 1998 | Jornalismo Económico | Prémio Kianda |
| 2002 | Investigação em ciências sociais e humanas | Prémio Nacional de Cultura e Artes |